|
5-6_2006
|
|
|
Texto de Edson, junho 06 Após tanto tempo juntos, ter conhecido muito do meu país, doze paises da América Latina, a incrível viagem de navio, seis paises da Europa, infelizmente chegou o grande momento de maior tristeza nessa viagem, a despedida. Como foi bom mostrar meu país pra Janina,como foi estupendo conhecer juntos outras partes do meu continente, a natureza física e humana dos lugares por onde passamos, a incrível Cordilheira dos Andes. Foi o máximo! Mas na vida tudo é assim, em algum momento dela a despedida é algo que realmente cruza nossos caminhos. Janina ficou em seu país, eu sigo viagem sozinho. Dia 28 de abril entrei no navio com destino a Buenos Aires. O controle na entrada do porto não permitiu que a Janina entrasse comigo, então fui guiado por um carro oficial até a rampa do navio que por ela entrei. Os operários se comunicavam em uma língua "doida", se dirigiram a mim falando em inglês, disse a eles que não falava inglês, então foi mesmo fazendo gestos e falando qualquer coisa que nos comunicamos. Em inglês consegui perguntar de onde eles são: Filipinas, falaram. Fixamos a moto em um lugar reservado, pegamos o elevador até a minha cabine que ficava no nono andar.Na porta da cabine já estava meu nome e: de Hamburgo para Buenoa Aires. Quando um dos funcionários abriu a porta, pra surpresa de todos a cabine estava completamente cheia de malas e bolsas, eles ficaram com muita vergonha e raiva, logo pediram desculpa e colocaram minhas bagagem na sala de musculação e um deles me chamou dizendo em português e fazendo gestos comer, comer. Ok, disse a ele. Na cozinha fui apresentado a quem serva a comida e ele mandou entrar e sentar. Havia alguns senhores comendo, eram passageiros franceses em uma mesa e os funcionários em outras. Os cumprimentei e sentei. Depois de alguns minutos um deles falou algo comigo em inglês que não entendi, mas tive a noção do que se tratava, era pra eu me servi, mas fiquei quieto. Depois veio um funcionário e disse que era pra eu me servi, todo bem. Ninguém a princípio me deu atenção, não fui informado de nada, era uma correria só dentro do navio. Após o jantar estava indo pra cabine quando o capitão me alcançou no corredor e falou comigo, perguntei se era o capitão respondeu que sim, pediu o passaporte e minha carteira de vacina internacional. No dia seguinte por volta das 10:30h da manhã o navio deu início à sua longa viagem com previsão de várias paradas na Europa e África. Os países industrializados contribuem sim com a poluição. Na tarde de 30 de abril chegamos na Bélgica e saimos dia primeiro de maio por volta das 21:00h, na manhã seguinte quendo sai para ver o tampo, estávamos no Canal da Mancha, mais próximo da Inglaterra que pra França. Deu pra ver muito bem as famosas falésias branca de Dover, mas também dava pra ver terras francesas sem muita nitidez. Na tarde do dia 2 chegamos em Le Havre, França. Por volta das 19:00h estava na sala de vídeu assistindo filme com um dos passageiros, quando chegou seu amigo apressado, chamando ele que era pra desembarcar. Eram também aventureiros que cruzaram o Atlântico de navio levando três carros, viajaram quase toda América do Sul e estavam de volta pra casa. Se despediram de mim desejando boa sorte e se foram. Naquele momento começou minha tristeza, por ter gostado muito daqueles simpáticos senhores que falavam espanhol e gostaram muito de mim. Do alto do navio vi os três carros saindo pela rampa do navio. Eles pararam e se despediram. Ainda olharam para cima, me viram e acenaram dando tchau e se foram .Foi um momento de muita tristeza, sem aqueles simpáticos senhores e o pior, "sem" a Janina por perto. No dia seguinte 03 de abril às 14:40h o navio saiu rumo a Bilbao na Espanha, na manhã do dia 05 já estávamos no porto da cidade espanhola. Após o café fui até a sala do capitão e com um péssimo inglês consegui perguntar se as autoridades de migração iria abordo, ele falou que não. Então logo ele começou a falar em inglês comigo, disse a ele que não falava, perguntei se falava espanhol, muito pouco, respondeu. Ele insistiu em falar em inglês algo que não entendi, estava todo atrapalhado e resolvi responder em alemão: Wie bitte? Como por favor? Ele me olhou com olhos grandes, um pouco assustado com o que acabara de ouvir e em inglês perguntou se eu falava alemão. Muito pouco, respondi. Logo começou a falar em alemão comigo e concluiu dizendo o horário que teria que voltar ao navio. Estava tão contente em poder caminhar pela cidade que acabei esquecendo meu passaporte, lembrei ainda perto do navio mas de cabeçudo não voltei. Segui caminho. Pedi informação a um funcionário do porto como chegar ao centro da cidade, ele me falou tudo em inglês, perguntei se ele não era espanhol. Sim, respondeu. Então me fala em espanhol, por favor, porque eu não falo essa coisa dos americanos. Na primeira barreira não foi necessário apresenter passaporte. Estava cominhando tranqüilo quando um automóvel parou bruscamente e um caminhão quase se chocou contra ele. Era um senhor que me ofereceu uma carona, já na última barreira era realmente a polícia que queria meu passaporte. Oh, o capitão não me deu. Lamentei. Talvez como garantia que eu realmente vou voltar ao navio. Não, não! Disse o policial. Tem que pelo menos andar com um papel oficial do navio. O senhor que estava me levando também entrou na conversa e disse aos policiais que eu iria só fazer algumas compras e logo voltava. Mostrei a identidade que é válida somente no Brasil e a carteira de seguro de saúde internacional. Depois de algumas insistências o policial mandou ir e que era pra eu voltar logo. Ufa! Andei apenas na parte da cidade que fica perto da zona portuária, não visitei o museu e nem seu centro histórico. Voltei de taxi, já imaginando a burocracia que teria que enfrentar do outro lado da passagem. O taxista parou e disse aos policiais que iria só deixar um passageiro lá no navio. Ok, respondeu o policial que ainda me olhou. Mais uma vez, ufa!No mesmo dia por volta das 23:00h o navio saiu, Casablanca era a próxima parada. Marrocos, o primeiro país da África a ser visitadoNa manhã do dai 8 de maio já estávamos na cidade marroquina. Fui caminhando até o centro da cidade. Perguntava de qualquer forma como chegar lá, até que as pessoas entendiam e em inglês me explicavam apontando a direção, não entendia o que eles falavam mas agradecia e seguia pra onde eles apontavam. Língua oficial é o árabe e tem o francês como segunda língua que todos também sabem falar, mas é comun o inglês por lá quase todos sabem. Se tivéssemos passado de moto por Marrocos, com certeza teria sido mais uma experiência ruim no trânsito. É que lá, triste dos pedrestres que tentam atravessar a rua na sua própria faixa, os motorista não os respeitam, continuam acelerando e buzinando escandalosamente, se encontrar pessoas na frente eles ainda falam pra sairem porque eles querem passar. Deixamos Marrocos e seguimos viagem. Grande só as do Rali Paris-Dacar quando passa por lá.
Senegal No dia 12 de maio quando o dia amanheceo já estávamos no porto de Dacar. A língua oficial é o francês, mas muita gente sabe inglês. Andei apenas em uma pequena parte da cidade, assim não deu pra ver conhecer muita coisa. Algumas pessoas brancas se "destacavam" entre a população nativa. De uma forma ou de outra os brancos detêm o poder sobre quase tudo, algumas lojas de médio e grande poste são de brancos. Nas bancas de revista é possível encontrar cartão-postal que retrata a natureza e o cotidiano africano, mas as revistas que são vendidas só mostram a beleza das mulheres brancas, a moda da mulher branca, pruduto de beleza pra mulheres brancas, etc. É uma imposição tão insensível de preconceito aliado ao infame capitalismo selvagem que obriga pessoas a se desfazerem de seus próprios valores em troca de algo que na verdade não é de tamanha utilidade, muitas vezes de nenhuma. Por volta das 15:00h do mesmo dia seguimos viagem com destino a Gâmbia. Uma vendedora ambulante tenta vender seus produtos entre os conteineres. Gâmbia Com uma viagem de apenas oito horas chegamos a Banjul, capital de Gâmbia. Um pequeno país da África Ocidental. Saimos às 18:00h do dia 13 para Conacre.
Guiné Chegamos às 19:00h do dia 14 de maio em Conacre, segundo a tripulação, não é aconselhável passageiros desenbarcar nesse país, primeiro são os policiais que querem muito dimheiro dos passageiros, depois nas ruas a violência toma conta da cidade, muito assalto etc. Com medo dessas informações, não sair do navio. No dia seguinte saimos às 14:00h, Freetown era nossa próxima e última parada no Continente Africano.
Serra Leoa Muito perto, só foram quatro horas e meia de viagem, os funcionários do navio trabalharam a noite inteira, não foi possível ir na cidade pra conhecê-la e saber mais desse pequeno país. Às 8:00h do dia 16 de maio saimos. Próxima parada, meu país. Baseados nas lendas, será que os navegantes ficavam com medo que ele poderia lhes engolir? De volta ao Brasil, dia 22 de maio em Vitória. Parabéns pra burocracia de meu país que é um show a parte. As autoridades não permitiram que eu desembarcasse no meu próprio país, por causa da moto mesmo toda documentada. Então fui mandado pra a Argentina onde fui muito bem recebido. Pensava que seria um terror pra mim , por causa da velha rivalidade no futebol entre Brasil e Argentina, mas foi muito bom conhecer a Argentina, o povo é muito solidário foi muito acolhedor comigo. O único problema era a polícia argentina que aproveitava da falta de seguro internacional contra terceiros pra me multar, foram quatro multas fortes. Sai "voado" pra casa, queria logo chegar mas ainda conheci muito o Brasil por outros ângulos, no físico o no social. Todo povo da América Latina é um povo acolhedor, não mede esforço pra ajudar alguém. De Buenos Aires até Coroatá foram apenas 21 dias, parei muito pouco pra conhecer algo, pois a rota que escolhi era mais ou menos a que teria ido com Janina. Que bom reencontrar minha natureza, minhas palmeiras que Janina tanto gosta.
Dois anos depois nos encontramos em Minas Gerais. Zwei Jahre später trafen wir uns in Minas Gerais.
Os escravos neles carregavam as mulheres dos donos de escravos. Museu de Paracatu, Minas Gerais. In solchen Sänften trugen die Sklaven die herrschaftlichen Frauen. Museum von Paracatu, Minas Gerais.
Em Homenagem aos trabalhadores que construiram Brasília. Zu Ehren der Arbeiter, die Brasília erbauten.
S 14°09' W 47°35', alt 1175
De volta no Maranhão: Zurück im Maranhão:
|